Água, bem maior que deixamos escorrer

Água abundante, inesgotável, fácil

de se obter,  fácil de usar, de gastar,

de consumir, de desfrutar,

ali, bem perto, sem esforço,

tudo muito simples.

E tudo que é abundante

nos é indiferente, estranhos

seres que somos. O valor é

atribuído ao que não se tem

ou quem sabe, nunca se terá.

Basta abrir uma torneira

e esquecer… o jato estará lá,

correndo em direção ao nada,

junto com toda uma consciência

que ainda não se construiu.

Resultado de imagem para abrir a torneira

Desperdício, reuso, reciclo

conceitos um tanto novos

para a maior parte que pode

praticar posturas mais integradas

a um meio que, de fato, é o todo.

Dependentes para vida

econômica e para a vida de fato,

encaramos a água como um

recurso, quase uma ferramenta

destinada ao “nosso” poder.

 

Com a ideia de estar

no topo dos demais seres

olhamos, mesmo, “para baixo”

pensando, lá no fundo, que os

demais estão “à serviço” .

Resultado de imagem para homem no topo da cadeia alimentar

Experimentar a escassez

como já experimentam outros

iguais a nós. Estes, hoje, distantes

daqui só um oceano que pode

até não ter existido, em outras eras.

Passa pela cabeça que, diferente

do que contam em palestras ou

livros, que, de fato,  poderão existir

profundos racionamentos, afetando

até aonde o olho não alcança?

Planeta água, dizia uma canção.

Título sem sentido nestes tempos

de descaso com o que se constitui

em riqueza, no grande sentido, e

que, inertes, vemos escorrer pelo ralo.

 

Cape Town ficará sem água

Onde tem e onde não tem?

 

 

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