Quando o bigode é o ator principal

Bigode, ralinho, abaixo do nariz,

que desconcertante!

Ninguém esperava isso e

acabou por roubar  a

atenção de todos.

Quase audível a serie

de hipóteses que se mostravam

na cabeça dos que antes lá

estavam, quando entrou,

olhando o smartphone.

Passou por entre todos

e se dirigiu para a frente:

iria falar sobre tema

cabeludo e enrolado

mas o bigodinho foi notado.

Mais do que o corte perfeito

da saia de cara alfaiataria e os

saltos altíssimos, parecendo

saídos da loja fashion, mais do

que o anelão de pedra verde.

Ninguém falava mas os

olhares que se cruzavam e os

risinhos que brotavam sem

controle, mexendo levinho

o tronco pra frente, eram prova

O que faz uma figura destas

tão poderosa e cheia de $ portar

um bigodinho? Seria um protesto

anti misoginia ou um manifesto

de transgeneridade?

Uma pessoa não resistiu e

soltou a pergunta: viu o bigode?

mas..nem era assim tão fenomenal…

mais para buço, enegrecido sob

pele mais clarinha

E os cochichos, depois do primeiro,

seguros da liberação, pipocaram das

pontas pro centro da plateia que estava

ali para aprender sobre o que poucos

sabiam… mas que se perderam em especulação

A expert, a referência, a que muito

conhece sobre, foi apequenada pelo

seu bigode que tomou toda a cena,

todas as mentes da audiência, ainda

sem se inteirar do descalabro.

Que fique claro que pagaram para

ali estar, montante nada desprezível

para o momento; não estavam ali

para galhofa ou bagunça, o ensino

médio ficou la trás.. mas o bigode…

Lá na frente, distante do alvoroço,

testava a apresentação, os recursos de

som e luz, acenava para os assessores

e olhava quase com desprezo para a

platéia que se mexia e conversava.

Posicionou o microfone, exibiu

a tela de abertura com dados de

referência e encarou de espinha ereta

o conjunto de pessoas que pagaram

para lá estar. A luz mostrava o bigode.

Cumprimentou a todos, secamente…

passou aos objetivos que pretendida

alcançar, forneceu seus dados

e iniciou desempaticamente o tema,

avisando que perguntas só ao final.

Mas o que todos queriam e

ansiavam, quase que em sofrimento

não poderiam perguntar; levariam

consigo, em aflição e cólicas de esofago.

Ou algum atrevido iria perguntar: e o bigode?

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.