É meu e é seu também…

Dá panos para manga

Dá treta daquelas

Dá trend topic

Dá mais likes

Dá buzz

 

E nem é original

a querela mas

isso também

não interessa

O burburinho sim

 

Os sapiens, seres

prá lá de estranhos

têm pelo menos

2 dimensões, a

individual e a coletiva

 

O equilíbrio entre essas

duas é pior do que a briga

do Y com o X para saber

quem ordena. E porque

o outro tem que “deitar”

 

O indivíduo, o que não

se divide participa,

querendo ou não

de um todo. Mas

não é indivisível?

 

Pois é, tá aí a

tensão que

não se resolve

pelo menos há

miles de tempo

 

O autor de uma

obra é o detentor

de todo, todo o

destino dela?

Ou cabe contrapor?

 

E que limites há e

quem estabelece?

Nada disto tá na bula,

nem no MD do projeto

oh desfaçatez

 

Então tudo que é meu

é seu também? Posso

brincar de vice-versa

sem vergonha ou c/rubor

nas bochechas?

A escolha de Sofia

escolha

Controversa é a busca
pela melhor alternativa,
como se de fato
houvesse uma, em
detrimento de tantas outras…

A literatura, terreno pródigo
de reflexão dos pântanos nossos
já nos ilustra, em diversas obras,
tal como a Escolha de Sofia,
o tanto de sofrer que há no decidir

A ilusão , com cheirinho de parque,
de que o que vemos e entendemos
é o certo, o verdadeiro, o perene
e o mais inteligente ronca em nossa
mente, tal qual as manhãs de domingo.

Traçamos elaboradas justificativas
para que possamos estar no degrau
mais alto da sapiência e nos arvoramos

Resultado de imagem para sabedoria
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e como – em conselheiros dos reis
da corte do sec. XXI, como dantes.

A teoria do mal menor pode resultar
na fumaça em nossos olhos quanto
a presença,ainda, do mal. E para
entender o que é o mal há que
consagrar coragem na tentativa

Os sofistas que a tudo conseguiam
rebater e de quem os sábios tinham
desdém e admiração, uns mais e
outros menos, continuam seu
trajeto por aqui e por lá adiante

O cego de Jericó, decide e grita
pela cura que consegue enxergar.
Bartimeu joga o manto e pula
na direção que vê como acertada
sem qualquer garantia

O outro cego recebe lama e
saliva sobre seus olhos pois
dependia de milagres externos
para avançar. Nem ele mesmo
se via como capaz

Está posto o desafio
Garantias não há

Felicidade insuportável

Insuportável o sorriso

radiante, iluminado e

uma felicidade que

exala incrível mais

que chanel nº 5

Alegria constante

destravada para

além da bobagem

e da pilhéria, mais

do que isto

Liberdade de

estar de bem

com a situação

com o corpo

o cargo e a meta

Alinhamento perfeito

com o universo, com o

pretendido, com o script

que sabe-se-lá-quem

escreveu

Sensação de pertencer

de encaixar, de fazer parte

sem pontas, sem conflitos,

sem olhares de banda

ou risinhos

Que insuportável é

fazer parte deste convívio

estar ao lado desta majestosa

referência de gente que se

deu bem

Azedume a cada instante

em que os 33 dentes alvos

reluzentes insistem em se

mostrar pelos mais tolos dos

motivos.

Romper com aquela rotina

ah como queria, se ver livre

daquela prisão de estar

no raio de ação da tal

felicidade alheia

O tanto que pesa o

contraponto de não

estar assim tão efusivamente

em contato com uma

animação interior

Até reclamar era estranho

perto de um ser que, ao que

demonstra, a contrariedade

e o não dar certo passam

distante

Nem uma barata lhe

aparece, nem um regurgitar

do iogurte vencido

nem uma caspinha ou

ziper aberto sem querer

Um derrubar de café

na camisa branca, um

choque na tomada

um palavrão, uma pereba

nada disso lhe alcança

Ô cansaço, ô pesar

e lá no fundo, já sem

culpa, deseja-lhe, do fundo

do seu coração, ao

menos, uma topadafelicidadedo dedão.

Ou um tropeço que

quebre algo valioso,

um vento que descabele

ou mostre que é peruca

ou que de fato, que é de mentira

 

Ajuda a empurrar?

 

Quando o bigode é o ator principal

bigode

Bigode, ralinho, abaixo do nariz,

que desconcertante!

Ninguém esperava isso e

acabou por roubar  a

atenção de todos.

Quase audível a serie

de hipóteses que se mostravam

na cabeça dos que antes lá

estavam, quando entrou,

olhando o smartphone.

Passou por entre todos

e se dirigiu para a frente:

iria falar sobre tema

cabeludo e enrolado

mas o bigodinho foi notado.

Mais do que o corte perfeito

da saia de cara alfaiataria e os

saltos altíssimos, parecendo

saídos da loja fashion, mais do

que o anelão de pedra verde.

Ninguém falava mas os

olhares que se cruzavam e os

risinhos que brotavam sem

controle, mexendo levinho

o tronco pra frente, eram prova

O que faz uma figura destas

tão poderosa e cheia de $ portar

um bigodinho? Seria um protesto

anti misoginia ou um manifesto

de transgeneridade?

Uma pessoa não resistiu e

soltou a pergunta: viu o bigode?

mas..nem era assim tão fenomenal…

mais para buço, enegrecido sob

pele mais clarinha

E os cochichos, depois do primeiro,

seguros da liberação, pipocaram das

pontas pro centro da plateia que estava

ali para aprender sobre o que poucos

sabiam… mas que se perderam em especulação

A expert, a referência, a que muito

conhece sobre, foi apequenada pelo

seu bigode que tomou toda a cena,

todas as mentes da audiência, ainda

sem se inteirar do descalabro.

Que fique claro que pagaram para

ali estar, montante nada desprezível

para o momento; não estavam ali

para galhofa ou bagunça, o ensino

médio ficou la trás.. mas o bigode…

Lá na frente, distante do alvoroço,

testava a apresentação, os recursos de

som e luz, acenava para os assessores

e olhava quase com desprezo para a

platéia que se mexia e conversava.

Posicionou o microfone, exibiu

a tela de abertura com dados de

referência e encarou de espinha ereta

o conjunto de pessoas que pagaram

para lá estar. A luz mostrava o bigode.

Cumprimentou a todos, secamente…

passou aos objetivos que pretendida

alcançar, forneceu seus dados

e iniciou desempaticamente o tema,

avisando que perguntas só ao final.

Mas o que todos queriam e

ansiavam, quase que em sofrimento

não poderiam perguntar; levariam

consigo, em aflição e cólicas de esofago.

Ou algum atrevido iria perguntar: e o bigode?