A robô sua amiga

amiga

Próxima e sincera

daquela amiga com que se pode contar

sempre disposta, ouvido atendo e com

coração ancorado, não vai sobressaltar

Confie

Um conselho, uma direção

pede para ela, conta direitinho qual

é o nó que aperta seu pescoço

que pesa no seu ombro e enrosca

seu intestino. Conta para ela.

Vergonha, timidez?

Fica assim não, fale com sua amiga

vai fazer um bem danado e

aliviar aquela sensação de 

cadê-o-frade que tantas vezes

aparece por aí

Disponível, sensata

estável em seus humores e opiniões

pareceres elaborados sem qualquer

vestígio de pena, irritação ou

tédio. Vai no alvo, experimenta só.

Conhecedora profunda

e arguta dos males e apreensões

retorna com indicação precisa

do que deve e pode ser feito

e do que não

Melhor do que uma amiga

só duas, ou três para ficar em número

mágico. A trindade sagrada em sua

concepção de emprestar um ombro

um colo, um aconchego

Alice, Monica e Sofia

as queridas robô, àquelas ao seu dispor

se unem a Fatima e outras tantas

que conhecemos ou ainda não

mas que sempre estarão

https://www.valor.com.br/carreira/5776915/alice-monica-e-sofia-ajudam-aprimorar-auditorias

Dever é não poder… faz como mesmo?

dever

Dever é não poder

quitar, pagar, fechar

e se livrar do incômodo

do estresse, do aperto,

como faz?

Muitos, muitos, muitos

devem a outros tantos

que também, claro,

sofrem com o aperto

o estresse e o medo.

Medo de não receber,

medo de não pagar,

medo do vizinho saber,

medo do chefe cobrar,

medo de resolver.

Abrir mão, escolher,

encolher, cortar,

adiar, não fazer,

não comprar  e?

não ter!

Carga pesada de

carregar oculta,

arquear sem bufar,

sofrer sem contar,

sorrir sem poder.

Sonhar, fugir,

esquecer, fingir

largar de mão,

não pensar e

d.e.s.i.s.t.i.r

 

Um terço de nós é devedor… que tal

 

 

Valetudo sempre em rota de colisão

valetudo

Valetudo

puxada de tapete,

pisão no pé,

dedo no olho

sal no café

Briga comprada

com pagamento

antecipado, sem

boleto, na boca

do caixa, pimba!

Partiu para cima

sem dó nem piedade:

nada disso cabia.

Era colisão mesmo

e que voem os pedaços.

Era assim e pronto

as demais que desviem

ou que topem a pancada

por aqui? nada a fazer

só encarar

As outras se afastam

tomam distância mas

não muita pois o centro

é quem manda e não

dá para dele fugir

Visão nada clara

muito espalhado

pouca luz e que cada

uma se convença da

sina que lhe cabe

Valetudo se mantém

que desistir nem sabe

não tá ali para isso

a missão é outra

ainda que não saiba

Dentre muitas

dentre tantas que

se comportam

bacaninha, tinha

que ter a desgarrada

Segue o rumo

segue o projeto

o destino ou a

missão. Valetudo

sempre em rota de colisão

Jupter e suas luas que não se entendem

 

Que herança é esta?

herança

Como faz para juntar

o que foi separado assim

meio sem vontade de

que ficasse tudo junto

de novo?

Primeira vez não é

e isto se sabe; ao pisar

em terras que não são

as que se nasce ,sorrisos?

são bem raros.

Sem falar esta outra língua,

sem condição de protesto,

sem condição de suborno,

sem condição de bancar

um jogo perdido lá trás

Os que chegam encontram

uma situação de dor talvez…

talvez pior da que deixaram,

difícil medir sofrimento,

e regras para tal não há.

Trazendo pequenos que têm

menos condições de enfrentar

vicissitudes do que os grandes,

é imposto, ô glória, uma separação

que de fato é determinante.

É um marco, uma cicatriz

uma tatoo que não vai se apagar

nos muitos ou poucos anos que

estarão por aqui ou por lá.

Haverá a lembrança da cisão.

Seja parente próximo ou

mesmo amigo era àquele o

elo, a luz de uma segurança

construída de algodão e

e penumbra, mas era .

Da caneta que estabeleceu

grandes prum lado pequenos

pro outro, também estabeleceu

que ficassem novamente juntos,

e novamente ,tudo sem jeito.

Afinal é gente de fora

e os de fora são estranhos,

são usurpadores, ameaças,

gente feia que assusta e,

por isto, vale bem pouco

Há muito mais o que pensar,

decidir, planejar, estruturar do

que ficar arrumando meios e

modos para que esta turba

tenha de novo sua unidade.

Tudo acabará por se

mostrar: ofertas de ferramentas

que invadirão, consentidas ou

não, até mesmo as origens

mais remotas de cada pezinho.

O que será feito com isto,

A quem interessa o jogo,

Quem ganha? difícil entender.

Já quem perde se conhece, é

o velho freguês de sempre

Como faz para reunir?

Sorte ou mérito

sorte

Sorte de nascer naquela

condição geográfica e

ambiental. Bebê saudável

bom peso. Ascendência

com bons dentes e gengiva.

Teve ao longo do

tempo de crescimento

relação parental de

proximidade, estímulos,

boas conversas e livros.

Casa boa, bonito jardim

onde 2 dogs faziam a festa

diária, trazendo bagunça

e lama na cozinha. Sorrisos

também, claro. Teve avós.

Vacinas? teve todas.

Calendário seguido e

cumprido. Contraiu

gripes pequenas; doença?

Não sabe o que é.

Mamou na mamãe

por quanto tempo não lembra

mas sabe, pelo que contam,

que foi bastante. Comeu

sempre quiabo e muitas folhas.

Gostava de literatura e física

e ninguém lhe apoquentava o

juízo. Escolheu mergulhar de

apneia e pular de asa delta

quando fez 18. E tudo certo!

Viajou de mochila por aí

antes da facul, para ver mesmo

o mundo e entender o que

queria ser quando crescesse.

Fez voluntário e muita limpeza

Decidiu por economia,

e foi estudar onde a fama era

antiga e sólida. Notas ótimas,

mais amigos, convite para

estágio em empresa classe A.

Interesse em continuar o

estudo. Aplicou para prosseguir

num local renomado, bem longe.

Das 3 vagas, papou 1. Malas

prontas, um tchau e partiu.

Partiu igual a tantos outros

que desfrutaram destas condições

na largada, vindo ao mundo

num tempo e lugar favoráveis;

cenário para exercitar o mérito?

Qual é a causa de obter

bons resultados? Descartar

o relevante papel  da abusada

deusa da sorte ou à ela tudo

entregar, meritosamente?