História da riqueza do Brasil – 5 séculos com tempero de Caldeira

riqueza no brasil

Ampliando a base de dados

para o entendimento da história

da riqueza do Brasil, o autor se

vale de antropologia e de

econometria como temperos.

riqueza
Foto Clayton de Souza Estadao

Busca entender comportamentos

das pessoas, dos governos e do

que ocorre em volta destes, ou seja,

do que se chama “costume” e

do que se costumava saber.

Se valendo das perguntas certas

vai em busca das certas respostas,

que é para isto que existe a pesquisa;

e pesquisar não lhe cansa, ao que parece.

Documentos e dados, muitos são!

O que prestar atenção

  • Grandes propriedades repletas de escravos

e o restante só para sobreviver. Parece que

não foi bem assim .

  • Relações de troca entre índios e brancos sem geração de

excedente, só escambos. Parece que também não foi

assim que tudo se deu.

  • A economia do Brasil colônia era bem menor do que a

de Portugal, à época. Outro conceito que é revisitado,

para não se empregar palavras mais decisivas.

  • Aspectos mais recentes da economia, traçando um

paralelo entre governos, que, num primeiro olhar,

poderiam ser totalmente diferentes. Só que não.

escambo

O que ficou faltando

 

  • As relações comerciais com base no “fiado” que,

conforme dito pelo autor, ainda carecem de uma

pesquisa mais aprofundada. E, surpresa maior, ainda

representam 20% das relações de troca. A caderneta

se perpetua.

Resultado de imagem para fiado

Para os robôs entenderem não será assim tão fácil

Resultado de imagem para robôs e o fiado

  • Fica faltando mais e mais, quando se tem interesse

em conhecer o que somos, como nos formamos

e os caminhos que percorremos.

 

Esta é a sensação que se tem ao final de um livro

significativo, como este, inquestionavelmente, é!

 

 

 

 

 

 

 

 

Trópicos utópicos – um sonho brasileiro sob o Equador

Mesmo não estando mais em tempos românticos,

Eduardo Giannetti, economista e cientista social se aventura a olhar de maneira calorosa a possibilidade de um sonho brasileiro sob o Equador.

Interessado em revirar e remexer conceitos econômicos e seus indicadores, vagueia entre o passado e o futuro, costurando provocações sucessivas.

Trópicos Utópicos, assume uma crise civilizatória e rejeita as correntes mais otimistas de estas são as melhores épocas, onde enormes contingentes superaram a pobreza.

Alerta:

Está tudo certo? 

Mesmo?

Ao longo do livro, organizado, como tantos outros de antigos filósofos, em artigos, vai sempre se afastando do normativo. É intencionalmente provocativo:

 

Soluções, quem as terá?

 

O autor não se arvora em garantias e nem flerta com listas numeradas nem 5 passos para o sucesso.

 

tropicos utopicos

O que chama a atenção

  • A estética adotada onde a ourivesaria dos mini-ensaios possibilita ao leitor um folhear descompromissado, num primeiro momento. Um trecho mais breve pode ser lido, e uma vez o enlace, é possível avançar para etapas mais densas da narrativa.
  • Facilidade de comunicação, trazida das muitas aulas, debates, entrevistas e “caras-a-tapa” que o autor se envolve, desde muito tempo.
  • Exemplos numéricos que, para muitos, como eu, explicam facilmente o argumento sustentado até então. Destaco o tema “ar condicionado”.
  • Coragem de enfrentar indicadores e outros temas econômicos consolidados como o antigo PIB.

Fique alerta para estes trechos:

  • A analise crítica quanto ao engessamento de conceitos, tais como felicidade.
  • A construção de uma utopia de “sonho nacional” na contra-mão do tanto que se apregoa em termos de fluidez territorial. Para o autor o fato de poder me desterritorializar como brasileira e me fundir à cultura nipônica, se assim me convier, é preterido frente às características que todos, brasileiros, temos, lá no fundo.
  • A visão da significativa importância da cultura afro e ameríndia em nosso “jeito-de-ser” em contraposição à tradicional, eurocêntrica.
  • O questionamento do que é ter sucesso.

O que decepciona

  1. Fica para a segunda leitura, se for o caso.

Em resumo

É livro, em larga medida, de agradável e instigante leitura.

O saldo é um repertório ampliado para uma reflexão mais elaborada.

Que, afinal, me pareceu a tônica de todo o texto.

 

 

 

Servidão voluntária

Servidão Voluntária

Livro de La Boetie : Servidão voluntária

  • Um autor francês, de vida
    bem curta deixa em sua
    obra uma provocação
    daquelas de tirar o sono,
    de tirar o fôlego mesmo.
  • Deixando toda a sua
    produção para um amigo,
    hoje mais famoso, vai
    no cerne de uma questão
    que sempre incomoda:
  • Porque tantos se submetem
    a tão poucos? Perguntava
    lá no séc XVI : exércitos inteiros,
    no ontem e no hoje estabelecem
    combates de vidaemorte
    sob ordens de 2 ou 3.
  • Reis desfilam suas jóias
    caríssimas, morando em
    palácios soberbos num
    reinado onde tantos têm
    tão pouco.

 

  • Que mecanismo doido é
    este que seguimos, sem
    nos dar conta, em direção
    às algemas, mansos em
    nosso caminho de servir.

 

  • Que se faça distância do
    do servir que se faz voluntariamente,
    quando por decisão o que se faz é
    simplesmente servir;

 

  • A indagação aqui é outra : Veja o trecho:

Quero para já, se possível, esclarecer 
tão somente o fato de tantos homens, tantas vilas,
cidades e nações suportarem às vezes um tirano
que não tem outro poder de prejudicá-los
enquanto eles quiserem suportá-lo; que só lhes
pode fazer mal enquanto eles preferem agüentá-
lo a contrariá-lo”

  • É de beijar a lona, a pergunta…e tem mais

“Que vício monstruoso então é este que
sequer merece o nome vil de covardia? 
Que a natureza nega ter criado, a que a língua 
se recusa nomear?”

 

  • O nome é : Servidão voluntária;

é o que se estabelece em contra-ponto

a uma liberdade difícil de carregar.

 

  • Que resolvam tudo, que nos apontem caminhos,

que nos forneçam listas e dicas.

Que nos facilitem seguir bovinamente o caminho.

 

  • Muito antes de Sarte, Étienne de La Boétie

nos confronta com a doce, aconchegante

sensação de se sentir bem, que por hábito

experimentam os que servem sem pensar.

Servidão_Voluntaria

 

Como me tornei estupido – livro de Martin Page

Figura da monalisa mostrando a língua num gesto estúpido

Como faz para ser estúpido? Martin Page tenta responder

Martin Page, um garoto de pouco mais de 40 anos, antropólogo, tenta responder a pergunta.

O objetivo, disfarçado na busca em levar uma vida tranquila, pelo autor, é criticar o estilo e a forma com que se vive.

Em tom que tangencia ora a comicidade ora o drama faz uma narrativa fluida de costumes e valores do início dos anos 2000.

Mostra ainda o grau de complexidade envolvido em atingir a meta proposta pelo título do livro : se tornar um estupido.

Ao longo do texto, fica claro que diversas decisões deverão ser tomadas afim de que Antoine, o protagonista, leve ao fim e a cabo seu intento.

como me tornei estupido- capa do livro

O que chama a atenção no livro

  1. Page é bom construtor de diálogos. Prende a atenção do leitor fazendo com que o interesse em avançar pelas cento e poucas páginas permaneça. Em tempos de pouca concentração e inúmeros estímulos é vantagem competitiva para ele.
  2. O tom adotado é direto, sobejamente coloquial, sendo desnecessária, na tradução de Carlos Nougué, a pesquisa de vocabulário. De fato, não foi necessário recorrer à quaisquer ajudas.
  3. A narrativa é crescente mas sem sobressaltos. Mesmo sem adotar a inquietação permanente no leitor, é possível observar que Antoine vai percorrendo caminhos cada vez mais… “maduros” para um jovem de 25 anos. Há que se registrar que o protagonista não iria concordar com o adjetivo jovem; entretanto explicações não podem ser fornecidas sob pena de retirar apetitosos momentos na leitura.

Fique alerta para estes trechos do texto:

  1. A tentativa de Antoine se tornar um alcoólico. : Vários sub textos no texto principal podem ser observados ,até mesmo para os abstêmios .
  2. O curso para suicídio : Outros sub textos e críticas, nesta etapa do livro, mais explícitas, aos valores que norteiam a existência.
  3.  A visita do fantasma e o rapto de Antoine : flertando com o “non-sense” Martin Page se afasta do tom que atribuíra até aqui e envereda por novas elaborações.

O que decepciona

  1. A pouca exploração da visita e do rapto comentados no item 3 anterior
  2. O capítulo final da narrativa

Em resumo

É livro, em larga medida, de agradável e rápida leitura.

Fica a impressão que talvez falte a cada um de nós uma incursão por tornar-se estupido.