Noblesse oblige sabe o que é?

Nascido em bom

berço, com chances

especiais de mamar

quando queria e poucos

mosquitos ao redor.

Cresceu em boas cenas,

família inteira, até avós!

Estudou direitinho e

dos dentes tratava sempre

com hora marcada.

Namorou no quadrilátero

do bairro, dentro do zoneamento

previsto no código urbano

das casas e prédios parecidos

e asfalto em todas as ruas.

Decidiu profissão com chances de

pesquisa, conversas, visitas e

até experimentação. Aproveitou

outros conhecimentos que sempre

estiveram disponíveis por ali.

Ao redor, todos falavam bem e sabiam

se expressar, pensar, se vestir e portar

em ambientes limpos, cheirando lavanda,

com água e esgoto tratados adequadamente;

Desde pequenino lavava sempre as mãos.

Tudo isto constituiu uma vantagem

e é sabido pelos que moram nas vilas

tidos mesmo como vilões e que

tentam esconder suas unhas sujas

e ramelas fartas.

Esperado, portanto, seria uma dose

de sacrifícios, de abdicação de privilégios

pelo tanto que receberam na largada

sem esforço? Um ceder a preferência

aos demais, não participantes da sua própria classe?

Um instante de reflexão: teriam visto

em alguma corte, sociedade ou época antiga

ou ainda que próxima, dito comportamento

que respaldasse tal crença?

Teriam visto?

Seria esta obrigação mais uma

das lendas, fábulas, cochichos

transmitidos de boca para ouvidos

que ninguém comprova e fica

mesmo assim na história?


Desistir. Você também pode

Lá dentro da sua cabeça aparece a possibilidade de desistir?

Pode confessar que estamos aqui só eu e você: Quantas vezes, só de pensar em desistir do que quer que seja, você logo experimentou uma sensação estranha, quase uma vergonha?

Reagindo, você rapidamente sacudiu a ideia para bem longe e tratou de por mais esforço ainda no que estava fazendo.  Assim, se recuperou.

Será?

Será que desistir não é mais uma alternativa e teremos que seguir em frente, a despeito de tudo e de todos, inclusive de nós mesmos?

Será que desistir é errado?

E se não for  s.e.m.p.r.e   assim, tão condenável?

foto em fundo preto com 6 mãos apontando o indicador para a palavra guilty em vermelho

Este texto pretende explorar alguns momentos em que desistir pode ser uma alternativa e das melhores.

Pretende dar espaço para que a opção pela desistência seja mais uma arma no arsenal de possibilidades de enfrentamento de situações difíceis.

Pretende liberar você do peso de um pré julgamento e instalar o foco de maneira mais objetiva, para que a visão possa ficar mais… aprimorada.

Topa o desafio?

Vamos lá!

1. Propósito, razão de ser, motivo

Fazer por fazer, manter por manter, ficar por ficar.

Quando, seja lá o que for, não nos retorna mais sentido é o momento de buscar a carta de desistir no baralho.

Na profissão e suas tarefas é notório; temos vários, muitos, inúmeros momentos de enorme tédio e insatisfação.

Chegamos juntos até aqui?… Sigamos.

Mas mesmo nestes momentos pode haver um quê de p.e.r.s.e.v.e.r.a.r.

Uma sensação, nem tão escondida, de que vale a pena e este valer não está, em larga medida, associado à grana:

  1. Seja pela realização alcançada anteriormente e que ainda tem gosto de nescauzinho.
foto em cores do produto nescauzinho

2) Seja pela possibilidade de realização futura, com cheirinho de espumante.

3) Seja lá pelo que for, há um toque de interesse e você percebe.

Mas…

pode não haver mais este toque. Tudo pode ter perdido a vibração e se tornado apenas : enfado, tédio, dissabor.

Ao constatar, pode ir puxando a tal carta do seu baralho.

2. Sofrimento intenso ou leve.

Difícil é a grandeza de se medir sofrimento. É em mililitro de lágrimas, em decibéis de soluços ou em watts de coração disparado?

Se o que se faz nos impõe sofrimento e mantemos a situação, tudo leva a crer que o ônus será desproporcional.

A tal da relação custo versus benefício estará de tal forma atingida, que mais se assemelhará à brincadeira de gangorra, onde os que brincam têm uma diferença de peso entre si da ordem de muitos quilogramas.

Resultado de imagem para gangorra com gordo
figura colorida de gangorra com um

Por isto, se constatou que está em sofrimento, ou ainda, se está causando a alguém… Puxou a carta!

3. Avanço, progresso, evolução ou resultado igual a zero

Muito esforço, muitas técnicas diferentes, opiniões embasadas, estudos e inspiração.

Nada disso faz com que se constate um progresso. Pior; há uma estagnação ou mesmo retrocessos.

Examinou daqui e dali, montou matriz de causa e efeito, teceu planos de recuperação e, caramba, nada dá certo por um bom tempo.

O que é um bom tempo para dar certo não é muito fácil de se determinar, está posto.

No entanto, lá no início, quando se começou, houve uma noção, uma ideia mesmo que tosca de que em algum intervalo de tempo o resultado viria.

Já passou e muito daquele tempo previsto e nada? Então…. pega a carta.


4. Valores desalinhados

Houve alguma mudança no ambiente, na cultura, no seu entendimento e o que era isento de problemas passou a se chocar com o que você entende por aceitável, correto ou ético.

Talvez você não soubesse quando começou, por despreparo ou ingenuidade, o que dá, em alguma medida, no mesmo lugar.

O que você constata, de fato, é que permanecer fazendo é contrário ao que você mais valoriza e acredita.

E precificar esta continuidade é penosa.

Uma cartinha de desistir, por favor…

5. Obsolescência

Passou desapercebido por você que muitas mudanças ocorreram em convergência e até mesmo em ritmo de colisão.

Houve forte explosão e das fagulhas nasceram filhotes de atividades, de profissões, de relações de trabalho e sociais. Porém, você não fez uma leitura adequada.

Em resumo: o que você faz, ou da forma com que você faz, ou o conjunto não se sustentam por muito mais tempo.

Foi superado ou simplesmente não tem mais quem se interesse em trocar isto por moeda.

Olhando para frente então… o cenário é mais desanimador ainda.

Lembra do mimeógrafo? Pois é.

Resultado de imagem para mimeógrafo

Pegando a cartinha em 3, 2, 1.

Para fechar

Percorremos aqui algumas situações em que desistir é uma alternativa.

Examinamos momentos, contextos em que permanecer é de todo nefasto e podemos sim nos permitir parar.

Afinal, você também pode desistir.

Mas… guardamos a cereja do bolo para o final e este é o momento para você degustar sem modos fidalgos.

A desistência é uma reorientação.

É como aquele “y” das ferrovias onde os trens tomam, a partir dele, um novo sentido.

foto de ferrovia com mudança de direção

É o momento em que decidindo não continuar, estaremos libertos para explorar outras iniciativas, outros sonhos, outros sabores que possam restaurar o gosto de festa e o espocar da champagne.

É o passaporte para uma nova chance de dar certo.

Guardou a cartinha aí?


Felicidade insuportável

Insuportável o sorriso

radiante, iluminado e

uma felicidade que

exala incrível mais

que chanel nº 5

Alegria constante

destravada para

além da bobagem

e da pilhéria, mais

do que isto

Liberdade de

estar de bem

com a situação

com o corpo

o cargo e a meta

Alinhamento perfeito

com o universo, com o

pretendido, com o script

que sabe-se-lá-quem

escreveu

Sensação de pertencer

de encaixar, de fazer parte

sem pontas, sem conflitos,

sem olhares de banda

ou risinhos

Que insuportável é

fazer parte deste convívio

estar ao lado desta majestosa

referência de gente que se

deu bem

Azedume a cada instante

em que os 33 dentes alvos

reluzentes insistem em se

mostrar pelos mais tolos dos

motivos.

Romper com aquela rotina

ah como queria, se ver livre

daquela prisão de estar

no raio de ação da tal

felicidade alheia

O tanto que pesa o

contraponto de não

estar assim tão efusivamente

em contato com uma

animação interior

Até reclamar era estranho

perto de um ser que, ao que

demonstra, a contrariedade

e o não dar certo passam

distante

Nem uma barata lhe

aparece, nem um regurgitar

do iogurte vencido

nem uma caspinha ou

ziper aberto sem querer

Um derrubar de café

na camisa branca, um

choque na tomada

um palavrão, uma pereba

nada disso lhe alcança

Ô cansaço, ô pesar

e lá no fundo, já sem

culpa, deseja-lhe, do fundo

do seu coração, ao

menos, uma topadafelicidadedo dedão.

Ou um tropeço que

quebre algo valioso,

um vento que descabele

ou mostre que é peruca

ou que de fato, que é de mentira

 

Ajuda a empurrar?

 

Controvérsia, uma maneira de se sobressair?

Controvérsia, disse-me-disse

balbúrdia e confusão

muitos usam para botar o pescoço

acima da linha dos demais e

aparecer que é o que importa

Opinião mais firme, sem chance

para um contraditório, ou a desqualificação

do argumento contrário, com foco em

quem fala e não no quê fala

e assim se destacar

Criar um desconforto na conversa

uma situação vexatória para o discordar

também é ferramenta útil para que

os holofotes girem para a sua direção

e que todos cochichem, (coisa boa)

Mesmo empresas, em seus

planejamentos ou pela falta deles

nunca se sabe, assumem posturas

com a intenção de “dar-o-que-falar”

e, deste modo, se posicionam diferente

Escândalos são descobertos ou

plantados? Envolvimentos nem sempre

ortodoxos são mais uma manobra ou

de fato acontecem? Fica cada vez

mais borrada a fronteira entre um e outro

A desculpa, o sem-querer, o sem intenção

continua valendo como escudo para

palavras rudes, insinuações maliciosas,

julgamentos preconceituosos e toda

uma série de agressões veladas

As batalhas sem sangue, sem lama,

sem trincheiras, sem farrapos, cedeu

definitivamente seu local para matanças

hight-tech, desempenhadas por drones

assépticos, sem adrenalina ou fedor de morte

E mesmo àqueles que num primeiro

olhar podem ser reconhecidos como

de bom comportamento podem, apenas

ser o espelho do que se gosta, do que

se entende por correto, da bolha nossa

Deste modo permanecem desiguais

as antigas desigualdades, permanecem

sem acesso os que nunca os tiveram,

permanecem longe do processo

civilizatório, seja lá o que isso signifique.

A intenção e o efeito, amantes

eternos, bailam diante de todos os

narizes, ficando a cada passo mais

complexo, mais refinado o minueto

que enfeitiça e adormece o pensamento

 

Qual é a jogada?