Ficção já cansou. Só o real tem lugar

Ficção? Heróis, castelos

Bichos enormes ou diminutos;

armas e escudos; caminhos

escuros, deuses de toda

a cor. Quem se importa?

Estórias mirabolantes?

Ninguém mais dá pelota.

Afinal o que se quer é o

que acontece hoje, ontem

e amanhã.

Precisa ser falado sempre

e a todo momento: o que se

faz, como se faz, quando se

faz, com quem se faz. Precisa

ser dito, em foto e em vídeo.

Precisa se falar da família,

dos amigos e dos pets. Narrar

com eloquencia o que permite

fruição e o que engasga.

Distribuir o internalizado.

A ficção cansou a todos ;

não dá conta do que interessa

num instante, mesmo que não

se saiba quanto dura nem como 

se preenche. E enche…e transborda

Os pronomes possessivos

se tornaram os personagens

principais. Os demais, que a outros

remetem, foram caindo no

ranquing dos boots, sem leads.

As capas e espadas são as

de grife contemporânea e torcer

as luvas nem há o que se comentar.

Em voga, na pauta, a combinação

policromática do prato do dia.

Precisão de destampar,

de ser fiel ao que se vive

ou ao que se imagina viver.

Comentar, trazer a opinião,

digitada com o corretor.

Lançar um webniário

complementado por e-book

sem sereias, sem moinhos,

sem olhos marejados da Dorotéia;

apenas o que compraz e conecta.

Podem dormir nas colinas,

nos castelos mais altos, as princesas

e os dragões. Durmam as bruxas e

porções mágicas. Descansem os

monstros de um só olho: hoje só o real

 

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.