Parecer e não ser: um peso insuportável para carregar

Tinha facilidade com

muito assuntos, mandava

bem em várias frentes e

ia colecionando elogios

e admiração.

Conferia, de soslaio

o tamanho do impacto

que ia causando, ao

inserir um quote de

filósofo pouco conhecido

Gostava de um ferro:

puxava pesado no treino

e sempre parecia

desconhecer cansaço:

gostava de zerar o aparelho.

Agenda sempre cheia

Nunca aceitava nada de

pronto, só tinha vaga para

daqui 15 dias, com sorte,

Muitas vezes, nem aparecia.

Sucesso era só o cotidiano

Nem comemorava muito

odiava o suor e o desalinho

e afinal era para ser assim

mesmo, nada de mais, ora!

Maré virando? imagina!

Sabia pegar onda de

prancha grande ou de peito

medo ou cautela estavam

riscados do caderno.

Passados tantos anos,

o peso de parecer sempre

f.e.n.o.m.e.m.a.l  ia travando

o trapézio e subindo os

ombros. Começou a suar mais.

Ser o sucesso constante

era o seu fardo, sua segunda pele

e para nela habitar havia pago

com zilhões de sonhos escondidos

sob um dos seus tapetes persa.

Armadilha criada, vítima presa,

confusão entre predador e caça

se alimentava no próprio rabo

rodopiando num looping eterno

para ter só mais um afago.

 

 

 

 

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