Noblesse oblige sabe o que é?

Nascido em bom

berço, com chances

especiais de mamar

quando queria e poucos

mosquitos ao redor.

Cresceu em boas cenas,

família inteira, até avós!

Estudou direitinho e

dos dentes tratava sempre

com hora marcada.

Namorou no quadrilátero

do bairro, dentro do zoneamento

previsto no código urbano

das casas e prédios parecidos

e asfalto em todas as ruas.

Decidiu profissão com chances de

pesquisa, conversas, visitas e

até experimentação. Aproveitou

outros conhecimentos que sempre

estiveram disponíveis por ali.

Ao redor, todos falavam bem e sabiam

se expressar, pensar, se vestir e portar

em ambientes limpos, cheirando lavanda,

com água e esgoto tratados adequadamente;

Desde pequenino lavava sempre as mãos.

Tudo isto constituiu uma vantagem

e é sabido pelos que moram nas vilas

tidos mesmo como vilões e que

tentam esconder suas unhas sujas

e ramelas fartas.

Esperado, portanto, seria uma dose

de sacrifícios, de abdicação de privilégios

pelo tanto que receberam na largada

sem esforço? Um ceder a preferência

aos demais, não participantes da sua própria classe?

Um instante de reflexão: teriam visto

em alguma corte, sociedade ou época antiga

ou ainda que próxima, dito comportamento

que respaldasse tal crença?

Teriam visto?

Seria esta obrigação mais uma

das lendas, fábulas, cochichos

transmitidos de boca para ouvidos

que ninguém comprova e fica

mesmo assim na história?


A escolha de Sofia

escolha

Controversa é a busca
pela melhor alternativa,
como se de fato
houvesse uma, em
detrimento de tantas outras…

A literatura, terreno pródigo
de reflexão dos pântanos nossos
já nos ilustra, em diversas obras,
tal como a Escolha de Sofia,
o tanto de sofrer que há no decidir

A ilusão , com cheirinho de parque,
de que o que vemos e entendemos
é o certo, o verdadeiro, o perene
e o mais inteligente ronca em nossa
mente, tal qual as manhãs de domingo.

Traçamos elaboradas justificativas
para que possamos estar no degrau
mais alto da sapiência e nos arvoramos

Resultado de imagem para sabedoria
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e como – em conselheiros dos reis
da corte do sec. XXI, como dantes.

A teoria do mal menor pode resultar
na fumaça em nossos olhos quanto
a presença,ainda, do mal. E para
entender o que é o mal há que
consagrar coragem na tentativa

Os sofistas que a tudo conseguiam
rebater e de quem os sábios tinham
desdém e admiração, uns mais e
outros menos, continuam seu
trajeto por aqui e por lá adiante

O cego de Jericó, decide e grita
pela cura que consegue enxergar.
Bartimeu joga o manto e pula
na direção que vê como acertada
sem qualquer garantia

O outro cego recebe lama e
saliva sobre seus olhos pois
dependia de milagres externos
para avançar. Nem ele mesmo
se via como capaz

Está posto o desafio
Garantias não há

Dever é não poder… faz como mesmo?

dever

Dever é não poder

quitar, pagar, fechar

e se livrar do incômodo

do estresse, do aperto,

como faz?

Muitos, muitos, muitos

devem a outros tantos

que também, claro,

sofrem com o aperto

o estresse e o medo.

Medo de não receber,

medo de não pagar,

medo do vizinho saber,

medo do chefe cobrar,

medo de resolver.

Abrir mão, escolher,

encolher, cortar,

adiar, não fazer,

não comprar  e?

não ter!

Carga pesada de

carregar oculta,

arquear sem bufar,

sofrer sem contar,

sorrir sem poder.

Sonhar, fugir,

esquecer, fingir

largar de mão,

não pensar e

d.e.s.i.s.t.i.r

 

Um terço de nós é devedor… que tal

 

 

Saber antes sobre o seu futuro; quer mesmo?

saber

Saber em primeira mão, antes

de todos, antes mesmo de se dar

conta de que não sabia e que

precisava saber. Antes de precisar,

antes de perguntar

Descobrir informação que

pode mudar o rumo da vida,

da jornada, dos que estão ao

lado ou até muito longe

e que nem se cogita

Construído o meio, o código,

a forma de acessar um privilégio,

um conhecimento, uma informação,

faz o que com isto? Distribui o acesso

para todos, assim sem cuidado?

Talvez estruturar melhor em etapas,

criar degraus, ir preparando a quem

busca sem saber a encontrar o que

nem sempre quer ou que nem sabe

que vai encontrar… talvez

Talvez ficar com a informação,

colher sem autorização formal

de outrem, para estatísticas,

para a ciência, para condutas

de boa intenção. Ou não…

Talvez cobrar bem caro

pela informação, fazer com

que todo o trabalho despendido

seja remunerado a altura,

pois afinal é disto que se vive.

E como se vive depois de

saber? Como prossegue o dia,

o mes, o ano, como marcar o

barbeiro ou a maquigem depois

da epifania avassaladora?

Conselhos muitos virão

Esquecer, superar, duvidar…

pode haver um engano,

pode não ser um vaticínio

pode não ser… Será?

Pode também encarar,

agir a partir do que foi descoberto,

traçar logo a matriz GUT e

atribuir a pontuação esperada.

Escrutinar o plano de reversão.

Ou ainda perder o chão, o tino

perder o controle do choro e do

soluço, perder a esperança e a

visão de um futuro, agora turvo,

pelo que acabou de saber.

 

Tudo sobre você, todo mundo já sabe

 

 

 

Ofender, injuriar,humilhar…quem pode fazer isso?

ofender

Ofender, por pra baixo,

desconstruir, abrir uma brecha,

uma ruptura, craquelar a imagem

de forma profunda e, via de regra

dolorosa… quem pode?

Tem relação com a expectativa

que se deposita lá dentro, no espelho,

ou que criam e, de um certo modo, que

talvez não seja certo, se alimenta,

tem relação de causa e efeito

É o que se evita, se previne

se teme, do fio de cabelo ao dedo

do pé. O que se pode fazer para

driblar um estrago destes, se faz

com todo o esforço e esmero.

O gozo de quem humilha,

de quem acossa e destrói,

o outro é imaginado como

pleno, inebriante, magnífico,

daqueles que tocam o céu.

E quem é atingido, quem

sofre, o destino da flecha

que partiu do arco de

perfeita mira, se contorce

no presente e no futuro

Com muita chance, muita

mesmo, haverá uma recuperação

via de regra, superficial e instável

que, sob risco da mesma ameaça

irá revisitar todo o sofrimento

Quem está de fora, quem não

pode atingir nem sofrer, não faz

parte, tem ainda maior condição

de entender o que se passa ou

nada pode depreender daquilo?

Seja choro, seja grito, seja

puxar o cabelo ou trancar o queixo

seja como for, quem pode, quem

tem o dom ou a permissão de atingir

um outro com tamanha profundidade?

humilhação