Dever é não poder… faz como mesmo?

dever

Dever é não poder

quitar, pagar, fechar

e se livrar do incômodo

do estresse, do aperto,

como faz?

Muitos, muitos, muitos

devem a outros tantos

que também, claro,

sofrem com o aperto

o estresse e o medo.

Medo de não receber,

medo de não pagar,

medo do vizinho saber,

medo do chefe cobrar,

medo de resolver.

Abrir mão, escolher,

encolher, cortar,

adiar, não fazer,

não comprar  e?

não ter!

Carga pesada de

carregar oculta,

arquear sem bufar,

sofrer sem contar,

sorrir sem poder.

Sonhar, fugir,

esquecer, fingir

largar de mão,

não pensar e

d.e.s.i.s.t.i.r

 

Um terço de nós é devedor… que tal

 

 

Saber antes sobre o seu futuro; quer mesmo?

saber

Saber em primeira mão, antes

de todos, antes mesmo de se dar

conta de que não sabia e que

precisava saber. Antes de precisar,

antes de perguntar

Descobrir informação que

pode mudar o rumo da vida,

da jornada, dos que estão ao

lado ou até muito longe

e que nem se cogita

Construído o meio, o código,

a forma de acessar um privilégio,

um conhecimento, uma informação,

faz o que com isto? Distribui o acesso

para todos, assim sem cuidado?

Talvez estruturar melhor em etapas,

criar degraus, ir preparando a quem

busca sem saber a encontrar o que

nem sempre quer ou que nem sabe

que vai encontrar… talvez

Talvez ficar com a informação,

colher sem autorização formal

de outrem, para estatísticas,

para a ciência, para condutas

de boa intenção. Ou não…

Talvez cobrar bem caro

pela informação, fazer com

que todo o trabalho despendido

seja remunerado a altura,

pois afinal é disto que se vive.

E como se vive depois de

saber? Como prossegue o dia,

o mes, o ano, como marcar o

barbeiro ou a maquigem depois

da epifania avassaladora?

Conselhos muitos virão

Esquecer, superar, duvidar…

pode haver um engano,

pode não ser um vaticínio

pode não ser… Será?

Pode também encarar,

agir a partir do que foi descoberto,

traçar logo a matriz GUT e

atribuir a pontuação esperada.

Escrutinar o plano de reversão.

Ou ainda perder o chão, o tino

perder o controle do choro e do

soluço, perder a esperança e a

visão de um futuro, agora turvo,

pelo que acabou de saber.

 

Tudo sobre você, todo mundo já sabe

 

 

 

Ofender, injuriar,humilhar…quem pode fazer isso?

ofender

Ofender, por pra baixo,

desconstruir, abrir uma brecha,

uma ruptura, craquelar a imagem

de forma profunda e, via de regra

dolorosa… quem pode?

Tem relação com a expectativa

que se deposita lá dentro, no espelho,

ou que criam e, de um certo modo, que

talvez não seja certo, se alimenta,

tem relação de causa e efeito

É o que se evita, se previne

se teme, do fio de cabelo ao dedo

do pé. O que se pode fazer para

driblar um estrago destes, se faz

com todo o esforço e esmero.

O gozo de quem humilha,

de quem acossa e destrói,

o outro é imaginado como

pleno, inebriante, magnífico,

daqueles que tocam o céu.

E quem é atingido, quem

sofre, o destino da flecha

que partiu do arco de

perfeita mira, se contorce

no presente e no futuro

Com muita chance, muita

mesmo, haverá uma recuperação

via de regra, superficial e instável

que, sob risco da mesma ameaça

irá revisitar todo o sofrimento

Quem está de fora, quem não

pode atingir nem sofrer, não faz

parte, tem ainda maior condição

de entender o que se passa ou

nada pode depreender daquilo?

Seja choro, seja grito, seja

puxar o cabelo ou trancar o queixo

seja como for, quem pode, quem

tem o dom ou a permissão de atingir

um outro com tamanha profundidade?

humilhação

 

Quer um mal entendido? Se esforça para explicar

explicação

Um mal entendido, uma confusão

um disse que não disse, que entendeu

que tinha dito, ou calado, na hora certa

que nunca é a agá, nunca é…

e rolou.

Quanto mais tentava explicar

e esclarecer e argumentar os

diversos pontos de vista e invalidar

os contrários, mais se enredava

e mais…e mais…e mais

Nem o ar dava tempo de tomar

pois era um tiroteio de explicações

que em nada explicam o que sequer

entendeu de fato o que foi, só sabe

que não consegue se safar

Que afinal é o que mais deseja:

explicar e pronto, é só isso o que

falta para o outro lado entender,

pois, afinal, é sempre nisso que

tudo reside: explicar

Tem um lado certo e um outro

errado; quando se sabe em qual

lado está fica bem fácil, explica

devagarzinho, repetidamente,

que acaba dando certo.

Impossível não entender

o que argumentara tão coerente,

tão conclusiva, tão ponderadamente.

Seria incapacidade de lidar com

argumentos mais…complexos?

Ou seria pura teimosia, pura

marra, bater o pé e fincar posição

quando já se sabe que se está

num lado errado, num lado que

não irá vencer de jeito algum.

Vai repetir de novo toda

a argumentação, com todo

o vagar, com toda a paciência,

na esperança que desta vez

vai conseguir resolver.

Ou simplesmente conseguir

arrematar a conversa com

duas ou três citações daquelas

que o outro lado fica sem controle

de mandíbula e olhos sem cor .

Fechar assim o desentendido

que não se resolveu mas que parece

e parecer é sempre o melhor dos consolos

é quase  uma trégua quando se está

bem perto de não mais poder.

 

Que herança é esta?

herança

Como faz para juntar

o que foi separado assim

meio sem vontade de

que ficasse tudo junto

de novo?

Primeira vez não é

e isto se sabe; ao pisar

em terras que não são

as que se nasce ,sorrisos?

são bem raros.

Sem falar esta outra língua,

sem condição de protesto,

sem condição de suborno,

sem condição de bancar

um jogo perdido lá trás

Os que chegam encontram

uma situação de dor talvez…

talvez pior da que deixaram,

difícil medir sofrimento,

e regras para tal não há.

Trazendo pequenos que têm

menos condições de enfrentar

vicissitudes do que os grandes,

é imposto, ô glória, uma separação

que de fato é determinante.

É um marco, uma cicatriz

uma tatoo que não vai se apagar

nos muitos ou poucos anos que

estarão por aqui ou por lá.

Haverá a lembrança da cisão.

Seja parente próximo ou

mesmo amigo era àquele o

elo, a luz de uma segurança

construída de algodão e

e penumbra, mas era .

Da caneta que estabeleceu

grandes prum lado pequenos

pro outro, também estabeleceu

que ficassem novamente juntos,

e novamente ,tudo sem jeito.

Afinal é gente de fora

e os de fora são estranhos,

são usurpadores, ameaças,

gente feia que assusta e,

por isto, vale bem pouco

Há muito mais o que pensar,

decidir, planejar, estruturar do

que ficar arrumando meios e

modos para que esta turba

tenha de novo sua unidade.

Tudo acabará por se

mostrar: ofertas de ferramentas

que invadirão, consentidas ou

não, até mesmo as origens

mais remotas de cada pezinho.

O que será feito com isto,

A quem interessa o jogo,

Quem ganha? difícil entender.

Já quem perde se conhece, é

o velho freguês de sempre

Como faz para reunir?