Servidão voluntária

Servidão Voluntária

Livro de La Boetie : Servidão voluntária

  • Um autor francês, de vida
    bem curta deixa em sua
    obra uma provocação
    daquelas de tirar o sono,
    de tirar o fôlego mesmo.
  • Deixando toda a sua
    produção para um amigo,
    hoje mais famoso, vai
    no cerne de uma questão
    que sempre incomoda:
  • Porque tantos se submetem
    a tão poucos? Perguntava
    lá no séc XVI : exércitos inteiros,
    no ontem e no hoje estabelecem
    combates de vidaemorte
    sob ordens de 2 ou 3.
  • Reis desfilam suas jóias
    caríssimas, morando em
    palácios soberbos num
    reinado onde tantos têm
    tão pouco.

 

  • Que mecanismo doido é
    este que seguimos, sem
    nos dar conta, em direção
    às algemas, mansos em
    nosso caminho de servir.

 

  • Que se faça distância do
    do servir que se faz voluntariamente,
    quando por decisão o que se faz é
    simplesmente servir;

 

  • A indagação aqui é outra : Veja o trecho:

Quero para já, se possível, esclarecer 
tão somente o fato de tantos homens, tantas vilas,
cidades e nações suportarem às vezes um tirano
que não tem outro poder de prejudicá-los
enquanto eles quiserem suportá-lo; que só lhes
pode fazer mal enquanto eles preferem agüentá-
lo a contrariá-lo”

  • É de beijar a lona, a pergunta…e tem mais

“Que vício monstruoso então é este que
sequer merece o nome vil de covardia? 
Que a natureza nega ter criado, a que a língua 
se recusa nomear?”

 

  • O nome é : Servidão voluntária;

é o que se estabelece em contra-ponto

a uma liberdade difícil de carregar.

 

  • Que resolvam tudo, que nos apontem caminhos,

que nos forneçam listas e dicas.

Que nos facilitem seguir bovinamente o caminho.

 

  • Muito antes de Sarte, Étienne de La Boétie

nos confronta com a doce, aconchegante

sensação de se sentir bem, que por hábito

experimentam os que servem sem pensar.

Servidão_Voluntaria

 

Como me tornei estupido – livro de Martin Page

Figura da monalisa mostrando a língua num gesto estúpido

Como faz para ser estúpido? Martin Page tenta responder

Martin Page, um garoto de pouco mais de 40 anos, antropólogo, tenta responder a pergunta.

O objetivo, disfarçado na busca em levar uma vida tranquila, pelo autor, é criticar o estilo e a forma com que se vive.

Em tom que tangencia ora a comicidade ora o drama faz uma narrativa fluida de costumes e valores do início dos anos 2000.

Mostra ainda o grau de complexidade envolvido em atingir a meta proposta pelo título do livro : se tornar um estupido.

Ao longo do texto, fica claro que diversas decisões deverão ser tomadas afim de que Antoine, o protagonista, leve ao fim e a cabo seu intento.

como me tornei estupido- capa do livro

O que chama a atenção no livro

  1. Page é bom construtor de diálogos. Prende a atenção do leitor fazendo com que o interesse em avançar pelas cento e poucas páginas permaneça. Em tempos de pouca concentração e inúmeros estímulos é vantagem competitiva para ele.
  2. O tom adotado é direto, sobejamente coloquial, sendo desnecessária, na tradução de Carlos Nougué, a pesquisa de vocabulário. De fato, não foi necessário recorrer à quaisquer ajudas.
  3. A narrativa é crescente mas sem sobressaltos. Mesmo sem adotar a inquietação permanente no leitor, é possível observar que Antoine vai percorrendo caminhos cada vez mais… “maduros” para um jovem de 25 anos. Há que se registrar que o protagonista não iria concordar com o adjetivo jovem; entretanto explicações não podem ser fornecidas sob pena de retirar apetitosos momentos na leitura.

Fique alerta para estes trechos do texto:

  1. A tentativa de Antoine se tornar um alcoólico. : Vários sub textos no texto principal podem ser observados ,até mesmo para os abstêmios .
  2. O curso para suicídio : Outros sub textos e críticas, nesta etapa do livro, mais explícitas, aos valores que norteiam a existência.
  3.  A visita do fantasma e o rapto de Antoine : flertando com o “non-sense” Martin Page se afasta do tom que atribuíra até aqui e envereda por novas elaborações.

O que decepciona

  1. A pouca exploração da visita e do rapto comentados no item 3 anterior
  2. O capítulo final da narrativa

Em resumo

É livro, em larga medida, de agradável e rápida leitura.

Fica a impressão que talvez falte a cada um de nós uma incursão por tornar-se estupido.

 

Zero Coisinha

Figura da capa do livro zeno cosini
  • Zeno Cosini

Um nada..

Um “coisa-nenhuma”

Nem anti-herói é

Cadê a postura para isso?

  • Definitivamente, não é o caso

Um “deixa-a-vida-me-levar” do tipo

Mais estapafúrdio

Não se trata de resiliente

Não se trata de sabedoria

  • Desapego,descaso? não…

Aqui é uma inércia sabida

Assumida e consumida

Raspada

no seu bigode.

  • Nem no divã do psicanalista

se encontra refúgio…

O autor traduziu Freud!

E chacoalha tudo

Bem diante do seu nariz.

  • Estrangeiro em terra natal

Conhecido de muitos pela

eloquente fala paradoxal

produz perturbação garantida

em todos ao redor

  • Costuma fazer revirada

no que estava de pé

Ou o que no

que estava de ponta-cabeça

tanto faz

  • Pega o ridículo …

Que ninguém quer

segurar e estende

para quarar

no seu Figura da capa do livro zeno cosinivaral