Falacia do planejamento

Em 10 minutos

chego no trabalho;

em 10 dias entrego

a apresentação,

em 5 minutos eu lancho

 

Em meia hora

escolho o look

em 40 minutos

faço academia

em 2 min? o insta!

 

E nada disso

ocorre no tempo

que se estima

via de regra,

consomem mais

 

De nada adianta

insistir mas é o

que acontece e

o stress vai

subindo, subindo

 

Atrasos, dilatação

de prazos, entregas

a meia boca, conflitos

sensação de frustração

e de abatimento

 

Dá para ser diferente

se conseguir romper

com esta armadilha

de supervalorizar

o poder que tem

 

Pensa aí

direitinho

como de fato

tudo acontece

que vai ajudar

 

Já ouviu falar de folga?

De uma previsão

pequena para os

imprevistos sempre

previsíveis?

 

A falácia do planejamento

na sua majestosa forma

de conceder poder à

quem de fato, só tem

a si mesmo… oh dó!

Falácia do planejamento

Aprecie seu preço

etiqueta

O valor que tudo tem

Costumamos atribuir preço como forma de expressar o valor que concebemos ao que quer que seja.

Podemos, num primeiro instante, não nos dar conta, mas precificamos tudo e todos, num critério próprio, repleto de explicações internas que só confirmam o que queremos ratificar. O questionamento não é, em boa medida, muito exercitado por estes tempos.

Entendemos como racional o que está revestido e imbricado de emoção e sentimentos e a simples atribuição dos noventa e nove centavos em substituição ao preço cheio é o exemplo cabal do que aqui se olha mais de perto.

preco terminado em 9

 

De etiqueta em etiqueta vamos catalogando o valor que tudo tem.

 

A escala de valor se altera com o tempo

A correlação de preços, no entanto, se altera com o tempo.

Num dado instanto, sob alguma circunstância de afeto mais imperiosa, se altera, sem , a escala, invertendo posições.

O fato de uma pessoa famosa ser flagrada com um vestido azul pode representar boa chacoalhada na estrutura de preços da cadeia de vestuário, o que corrobora o tanto de subjetivo que constitui a formação dos preços.

 

A formação do nosso preço segue os mesmos padrões

Seja para a nossa oferta de serviço, na formação da proposta, seja quando analisamos os concorrentes ou assemelhados, a formação do nosso preço também segue as guias mestras de subjetividade que, por vezes, nem percebemos. Se o fizéssemos poderíamos ter alguma vantagem.

Explicando: os preços não são o resultado dos custos de produção acrescidos de impostos, taxas, penduricalhos para manter a estrutura de governo (ui!) e margem de lucro, numa conta grosseira.

Os mais acertados preços se formam da percepção.

Percepção subjetiva versus analise objetiva

O que se está identificando, neste texto, é que a percepção dos outros e a nossa própria representam entradas importantes para o processo de atribuição de preço.

Se percebemos nosso serviço ou produto, se o posicionamento dele representa, em nossa visão, uma posição inicial na escala em que está inserido, a formação deste preço terá que considerar esta percepção, sob pena, sem apelo, de erro crasso.

Para isto, as pesquisas qualitativas e quantitativas, mesmo àquelas menos sofisticadas, já sinalizam em que direção devemos nos orientar.

Veja algumas perguntas para investigação: Os demais nos percebem em que fase na escala evolutiva no meio em que estamos inseridos. Somos experts? Iniciantes? Há toda uma serie de semelhantes ou podemos mesmo nos portar como novidade?

Para cada resposta haverá um valor final, distinto e diretamente correlacionado.

Tudo tem preço e nada de mal há nisso

A precificação está bem distante de um mal, de um cinismo ou falha moral irreversível. É ferramenta de funcionamento social.

Primeiro constatamos, julgamos, comparamos com tudo o que já se sabe, daí catalogamos e atribuímos preço.

É este preço que faz com que aceitemos um café com um cliente e rejeitemos um papo, no mesmo horário, com a tia que veio visitar seu irmão. Por critérios de precificação, em dado momento, entendemos ter mais valor, portanto, maior preço, o tal do café.

Sentiu culpa? Estejais livre deste mal, oh pensamento infantil!

A ética e a moral não fazem parte desta reflexão. Quem sabe num outra?

No entanto, em outras horas, ficar longo período na academia pela satisfação do corpo esculpidoserá maior do que enfrentar diversos mercados para as compras do mês e a economia de parcas moedas e notas. Valor maior, maior preço embutido lá dentro da cabeça.

Daí o chocolate gourmet, a palestra do guru interestelar, o travesseiro de pena de profeta. Se há atribuição de valor, há margem e chances para elevação de preços.

Preços e apreciação

Do julgamento, da analise, comparação e exercício contínuos poderemos acrescentar critérios mais complexos para a precificação dos nossos serviços e produtos, como a percepção subjetiva de que tratamos.

Quanto de lucro poderemos auferir é razão direta do conjunto de fatores e é volátil, cada vez mais e mais rápido. E mais complexa a gama de requisitos.

O mesmo preço de ontem poderá não representar a percepção de hoje e ser um verdadeiro desastre, caso mantido, amanhã.

Aprecie o que há no entorno, o que há por dentro, o que lhe falta, o que seus pares percebem e o que não.

Retorne as suas analises e faça os ajustes.

É disto que se trata : aprecie!

aprecoe

Tal como a lua, as fases do empreender

lua como mentora

Resultado de imagem para fases da lua

  • Quer seja numa nova atividade laboral, artística, esportiva ou mesmo empreender, existem fases a percorrer, quando mapeamos todo o processo.
  • A reflexão não pretende abordar fases estanques, presas em reservatórios de grossas paredes. De nenhuma maneira, tá?
  • A reflexão pretende abordar, só para efeitos de entendimento, as fases a percorrer para que o caminho esteja, na maior parte do tempo, na esfera do consciente.

Conhece o ditado : faz de qualquer jeito mas faz?

Pois é, não é desta frase que vamos tratar aqui.

  • Tal qual a Lua, tudo está em movimento. O fazer, o empreender também.
  • Ao se encaminhar para o final de uma fase, simultaneamente, já está iniciada a próxima.
  • Não há barreiras, não há portões a atravessar entre uma e outra.
  • Tudo é fluido e constante, como já alertado por aquele que muito mais conhece.

Zygmunt Buman

1 – Lua Nova, quando não está visível o que fazer

Nesta fase o que existe é a percepção.

Ainda não se está propriamente consciente das respostas às perguntas fundamentais : o que, para que, para quem, como e quando.

A “luz” que vai clarear o trajeto não apareceu ainda.

Durante a lua nova, nosso satélite natural encontra-se com sua face não iluminada totalmente voltada para Terra, de forma que se torna impossível sua observação.

2- Quarto crescente, dá para ver uma pontinha de luz

Quando a percepção fica mais robusta, é  a fase de iniciar de fato os questionamentos.

Via de regra, são reflexões solitárias, onde tudo ainda está tão nublado que fica até difícil conversar com quem quer que seja.

O embrião do que se pretende fazer fica um pouco mais consistente e, talvez, até se consiga montar algum protótipo, algum ensaio, algum preparo, algum teste.

Destes testes e ensaios serão recolhidas impressões do desempenho alcançado. E muitas, muitas vezes o desempenho será d.e.s.a.s.t.r.o.s.o.

Falhas, fracassos, frustrações têm lugar neste momento e o verbo desistir se insinua de maneira sedutora.

Tal como quarto crescente, a luz aparece mas não é suficiente para iluminar o todo. Será necessário esforço e perseverança, em boa medida, para avançar e continuar o “crescer”.

Albedo (o lado escuro da lua)

3- Lua Cheia: tudo iluminado

Se a decisão foi avançar mesmo, o entendimento do que se quer fica bem mais claro.

Já houve uma boa quantidade de rejeição, de decepção, de tentativas que deram errado e para todas houve a mesma resposta: seguir.

Houve também um entendimento próprio. Conhecimento de reações em situação de adversidade que mostraram capacidades e fragilidades que, talvez, nunca tivessem ocorrido anteriormente.

Houve uma adequação do que se queria fazer e do que é possível fazer, neste momento.

O que se pensou fazer foi bem recebido? A forma, o preço, a maneira com que se dá a entrega e toda uma serie de outras variáveis passaram a integrar um diagnóstico mais maduro.

E como a Lua nova, está tudo mais “iluminado”.

noite atmosfera lua lua cheia luar astro minguante Ceu Objeto astronômico Evento celestial

4- Quarto minguante, muito mais sombras e menos luz

Quando não se entende o processo, ou quando há distração e, consequentemente, pouco empenho, o resultado diminui.

Outras necessidades não são percebidas, outros que fazem melhor por menos, ou mais rápido, ou chegam antes, também não são vistos.

Esta é a fase do encerramento do ciclo, com muitas sombras e pouca luz. Tudo, a persistir a postura, irá que minguando até acabar.  Ou recomeçar de outro modo.

File:Lua em sua fase Minguante.jpg

A lua como mentora

  • Conhecidas as fases do processo, claro está que existirão obstáculos a transpor.
  • Quando se inicia a exposição, quando se iniciam as primeiras incursões no mundo real, se inicia também um teste pessoal.
    • É o momento de constatar o quanto de certeza se tem sobre o que se quer fazer e o quanto se consegue suportar de negativas, até que uma chance de dar certo possa ocorrer.
    • É o momento de constatar o quanto se consegue “lamber as feridas” para que cicatrizem eficazmente.
  • Lembrar também que quando tudo aparentemente está encaixado, cheio de luz é importante olhar em volta, para detetar o mais breve possível, sombras se aproximando que ,ao final e ao cabo, irão minguar os resultados.

Como dizia Macunaíma, herói de nossa gente; preto retinto e filho do medo da noite, dirigindo-se a Capei :  “sua bênção dindinha lua.”

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